No depoimento prestado em fevereiro de 2014, Eder revelou ter participado de reuniões
A cobrança de propina para a
liberação ou manutenção de incentivos fiscais a empresas já foi
denunciada anteriormente pelo ex-secretário Eder Moraes Dias, quando
negociava a possibilidade de se tornar delator da Operação Ararath. Em
depoimentos prestados ao promotor de Justiça Marcos Regenold Fernandes,
Eder chegou a dizer que o ex-secretário Pedro Nadaf, preso nesta
terça-feira (15), teria recebido, de uma das empresas, uma fazenda na
região do Pantanal.
No depoimento
prestado em fevereiro de 2014, Eder revelou ter participado de reuniões
em que ocorreram acertos para que empresas favorecidas com os benefícios
quitassem dívidas eleitorais do grupo político do qual ele fazia parte.
De acordo com o ex-secretário, as empresas dos setores beneficiados com
incentivos fiscais também pagavam parte da propina através de doações.
“Participei
(de reuniões em que ocorriam os acertos).
(O) valor exato de retorno
(propina) não. Eu vi muito em renovação de incentivos. Pega a relação de
doadores de campanha. Tá certo, ali é o oficial. Você vê que esses
setores beneficiados vêm financiando campanha no Estado de Mato Grosso.
Ali é o oficial, o que na verdade vem por fora você não contabiliza”,
disse Eder no depoimento prestado ao Ministério Público Estadual (MPE).
Em
outra parte das declarações, o ex-secretário avalia que a política de
incentivo fiscal em Mato Grosso está corrompida e gera aos cofres
públicos prejuízo anual de R$ 1 bilhão. “Está absolutamente corrompida a
base tributária de frigorífico e dos setores sucroalcooleiro e
atacadista.
Esses três têm uma renúncia de no mínimo R$ 500 milhões/ano.
O setor de frigorífico deveria ter R$ 600 milhões de arrecadação e
estão pagando R$ 140 milhões. O setor sucroalcooleiro tem como potencial
de receita R$ 350 milhões e estamos arrecadando R$ 120 milhões. Mato
Grosso está afundando”, explica.
Gazeta Digital



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