Calados e entristecidos familiares de Arcanjo foram deixando o plenário mesmo antes da juíza Mônica Perri, da 1° Vara Criminal de Cuiabá, anunciar o veredito.
RAFAEL DE SOUSA
DA REPORTAGEM |
A
condenação a 44 anos e dois meses de prisão por ter encomendado a morte
dos empresários Fauze Rachid Jaudy Filho e Rivelino Jacques Brunini,
além de uma tentativa de homicídio contra o pintor Gisleno Fernandes,
‘abalou’ o emocional do bicheiro João Arcanjo Ribeiro no fim da tarde
desta sexta-feira (11). Parecendo não acreditar no que ouvia, o
ex-comendador chorou ao saber da sentença.
De acordo com o promotor de Justiça, Vinicius Gahyva, Arcanjo foi condenado por 4 votos a 0 em quase todos os crimes, “mas tiveram dois quesitos que foram 4 a 1 e um único quesito, por falso testemunho que deu 4 a 3”, revela.
Familiares
de Arcanjo tomaram conta do plenário, porém não quiseram falar aos
jornalistas sobre a condenação. Calados e entristecidos foram deixando o
plenário mesmo antes da juíza Mônica Perri, da 1° Vara Criminal de
Cuiabá, anunciar o veredito.
De
acordo com o promotor de Justiça, Vinicius Gahyva, Arcanjo foi
condenado por 4 votos a 0 em quase todos os crimes, “mas tiveram dois
quesitos que foram 4 a 1 e um único quesito, por falso testemunho que
deu 4 a 3”, revela.
O
Ministério Público Estadual (MPE) afirma que a decisão do Tribunal do
Júri corresponde com a vontade da população. “É um resultado esperado
por toda a sociedade. Reflete o amadurecimento hoje representado aqui
pelos jurados que não mais toleram esse tipo de conduta que atenta
contra o interesse social”, destacou Gahyva.
“É um resultado esperado por toda a sociedade. Reflete o amadurecimento hoje representado aqui pelos jurados que não mais toleram esse tipo de conduta que atenta contra o interesse social”, destacou Gahyva.
O
filho de Rivelino Brunini, Rafael Brunini acredita que apesar do mentor
estar preso ainda podem existir outras pessoas envolvidas no crime.
“Essa sentença, é claro, não vai trazer meu pai de volta, mas vai
amenizar o que nos foi causado. Hoje eu saio do luto do mandante do
crime, porém acredito que tenha mais pessoas envolvidas, eu quero que o
Ministério Público investigue”, desabafa.
Destacou
ainda que manter Arcanjo preso serve como exemplo para outras pessoas
que pensam em cometer crimes com a certeza da impunidade. “Que sirva de
exemplo para aqueles que estão em declínio de cometer um crime, que olhe
para ele [Arcanjo] e veja que a Justiça funcionou”, concluiu Rafael
Brunini.
Para o advogado Paulo Fabrinny, que faz a defesa do ex-bicheiro, o momento é de aguardar o prazo de sete meses para pedir a progressão de pena. Fabrinny já recorreu da sentença.
Para
o advogado Paulo Fabrinny, que faz a defesa do ex-bicheiro, o momento é
de aguardar o prazo de sete meses para pedir a progressão de pena.
Fabrinny já recorreu da sentença. “Foi levado em consideração as provas
que existiam nos autos, por esse motivo a defesa recorreu e além do
recurso vamos tomar medidas para colocá-lo em liberdade, mas para isso
preciso de no mínimo sete meses”, argumentou o advogado.
João
Arcanjo ainda teve pena menor do que as aplicadas aos pistoleiros, o
ex-policial, que executou os assassinatos, Célio Alves, que foi
condenado a 49 anos de prisão, assim como seu 'ex-braço direito' , o
uruguaio Júlio Bachs Mayadao, que foi condenado a 65 anos, pelo mesmo
crime.
ACUSAÇÃO QUERIA MAIS
A
pena aplicada a arcanjo chegou perto dos 46 anos esperados pelo
promotor Vinicius Gahyva, que apontava provas suficientes para tal. Aos
jornalistas, Gahyva chegou a dizer que esperava que a pena de Arcanjo
fosse superior às que foram aplicadas aos executores dos assassinatos.
“Há
vários elementos de convicção nos autos que indicam a estrutura de uma
organização criminosa com modelo de gerenciamento importado de bicheiros
do estado do Paraná, gerenciada por Julio Bach Mayuada, que foi
condenado no último julgamento, por envolvimento nesses crimes, de forma
que quem decidirá essa causa é a sociedade, representada pelo júri
popular”, comentou o promotor Gahyva.
O CRIME
Os
crimes ocorreram na tarde do dia 6 de junho de 2002, em uma oficina
mecânica localizada na Avenida Historiador Rubens de Mendonça (CPA),
região central da capital. As investigações do Ministério Público
Estadual (MPE) apontaram que apenas Brunini era o alvo, por estar
ameaçando os negócios ilegais dos caça-níqueis de Arcanjo Ribeiro na
região, fazendo concorrência, mas por engano, Jaudy teria morrido e
Fernandes, sido atingido.



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