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Alipio, que passou pelo Real Madrid e hoje atua pelo Luverdense
Ser descoberto por um empresário aos 14 anos e fechar um contrato com
um clube europeu. Aos 16, estar no Real Madrid. Isso parece o roteiro
dos sonhos de muitos jovens que querem ganhar a vida jogando futebol.
Mas não foi bem assim para o atacante Alípio, hoje com 23. De jovem
promessa com uma carreira promissora pela frente, ele enfrentou
contusões, problemas com técnicos, transações frustradas e entende que a
passagem pelo clube espanhol ao invés de alavancar, mais prejudicou sua
carreira. Hoje, tenta recomeçar no Luverdense de Mato Grosso, da Série B
Nacional. E, todos os altos e baixos na carreira foram vivenciado sem
ter a presença dos pais para auxiliá-lo. Ele é órfão desde os 10 anos.
Europa aos 14 anos
"Eu estava em uma escolinha em Brasília. Fui jogar um campeonato em São
Paulo e aí um intermediário de um empresário português me viu jogando,
entrou em contato com este empresário e eu fui para Portugal", lembra
Alípio. Ele embarcou para o Rio Ave e teve o privilégio de iniciar sua
carreira ainda muito jovem no Velho Continente. Uma vez em campo como
profissional pela primeira vez, logo foi negociado pelo seu empresário
Jorge Mendes com ninguém menos que o Real Madrid. Alípio, porém, foi
para o time B do clube e, logo no primeiro jogo, sofreu uma lesão no
tornozelo.
O pesadelo Real Madrid
Daí
em diante, os problemas se avolumaram para a então jovem promessa. O
tornozelo machucado rendeu um mês fora. Na temporada seguinte, ressurgiu
uma tendinite no joelho que, segundo Alípio, já vinha desde a época do
Rio Ave e não foi devidamente tratada pelo Real Madrid. Pior: o atacante
diz que entrou em campo forçado. "Não é que eles não queriam tratar, na
verdade eles não trataram mesmo.
Agora não me pergunte o porquê, está
aí uma coisa que eu nunca consegui compreender", lamenta o atacante.
"Comprar um jogador jovem e não querer cuidar". Alípio explica que os
médicos do Real limitaram seu tratamento a aplicações de gelo e
fortalecimento muscular.
E seu empresário dizia que ele tinha que
"passar por cima" da situação e "jogar de qualquer maneira". A "forçada
de barra" não deu certo, e o jogador acabou retornando à Portugal, desta
vez para atuar por um grande. "O Benfica sim foi o clube que cuidou de
mim", conta Alípio.
Revelado
na base do São Paulo no início dos anos 2000, Harison era o titular e
deixava Kaká no banco de reservas. A história, porém, não se repetiu no
profissional. O meia passou por Santa Cruz, Guarani, Ponte Preta, Goiás,
Sertãozinho, Paysandu, Grêmio Barueri e Marcílio Dias, além de jogar no
Japão e na Arábia Saudita. Jogou o primeiro semestre pelo Duque de
Caxias
Cirurgia e nova lesão
No clube português, porém, o atacante só atuou pelos juniores. E isso
só por causa das infiltrações no joelho que, segundo ele, eram aplicadas
semanalmente. Como o tratamento convencional definitivamente não estava
dando resultado, e consequentemente Alípio não era aproveitado pelo
time principal, o Benfica finalmente resolveu submeter o jogador a uma
cirurgia que resolveu sua tendinite. Seria uma esperança para a carreira
de Alípio deslanchar se, pouco depois de voltar a treinar, ele não
rompesse o ligamento cruzado do outro joelho, o esquerdo.
Ao todo, as
lesões custaram cerca de 1 ano e três meses de afastamento dos gramados
entre 2011 e 2013. A sequência de jogos e a confiança só voltaram quando
ele deixou o Benfica, em agosto de 2013, e, depois de uma rápida e
malsucedida passagem pelos Emirados Árabes, acabou no Chipre. "Lá eu
joguei na segunda metade da temporada, fui bem e recuperei a minha
confiança no início da temporada seguinte", recorda o jogador, que, no
entanto, logo encarou novas provações.
Recomeço em Mato Grosso
A temporada de dissabores na Europa finalmente terminou com a
contratação de Alípio pelo Luverdense em fevereiro deste ano. O time da
cidade de Lucas do Rio Verde disputa a Série B do Brasileirão, e
recentemente Alípio saiu do banco de reservas para marcar dois gols na
goleada de 5 a 2 contra o Náutico. "Eu joguei dez partidas como titular,
aí entro no segundo tempo e faço dois gols, vai entender.
Estava na
hora, a bastante tempo que eu vinha buscando esses gols", comemora o
atacante. Órfão de mãe, que morreu de câncer quando ele tinha dez anos,
Alípio também nunca conheceu seu pai. E diz que não faz questão de
conhecer. Sua tutora legal foi sua tia. O jogador não esconde a mágoa do
Real Madrid, que para ele prejudicou muito sua carreira, e hoje
prioriza a felicidade fora de campo. "Com a experiência que eu adquiri
estes anos, agora estou com os pés no chão, há dois meses eu me casei.
Então eu acredito que estou no caminho certo. Agora, se eu vou alcançar
este patamar (jogar na Espanha) de novo, só Deus sabe."



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